Sempre achei que chorar era muito piegas, coisa de gente fraca. Mas um dia, - acontece com todos nós - algo nos torna fracos. E quando a gente começa a chorar, não consegue parar. Você chora quando acorda, quando come, quando vê desenho animado, quando toma banho, mas chora principalmente nos seus sonhos. Dizem que a gente consegue controlar os sonhos, algumas vezes, e você chega até a manipular todo o seu subconsciente pra chorar. Você chora tanto que o choro vira uma característica sua, e evitar chorar é uma das coisas mais difíceis que você tem que fazer. As pessoas até tentam te ajudar quando você não consegue segurar as lágrimas, mas não há nada que elas possam fazer e elas simplesmente se afastam pensando que um tempo sozinho vai te acalmar, mas o tempo não acalma nada. O que você realmente precisa é daquelas pessoas, mas ninguém está disposto a tentar o impossível. E quando as pessoas se afastam, você chora mais e mais... Até que um dia decide não chorar mais: você controla os seus sonhos para que eles sejam divertidos, mas nunca ao ponto de chorar de rir, você passa a escutar músicas fúteis que nunca lembrem lágrimas, você tenta se aproximar de pessoas diferentes, completos estranhos, esperando que eles te destraiam. E você consegue. Pronto, acabou o choro, as fontes secaram. E a partir do momento em que as fontes secam, as pessoas ao seu redor começam a ver um ser insensível, rude. E começam a se afastar novamente. Você quer chorar, se afogar nas lágrimas da solidão, mas elas não saem, sem uma gota sequer. E você percebe que as pessoas estavam certas: você não tem mais emoções.
ās 18h27Acontece que, em algum outro lugar, também tem alguém olhando a lua.
ās 19h41Porra, aqui só tem bêbado, sair daqui, sentar. Sentei. O cara não canta bem, mas a música é legal, vamos dançar, imita o baixo, imita a gaita, imita a bateria. Música chata, sentar. Sentei. Olha a luz piscando, a sombra nesse copinho de plástico é muito bonita, queria uma câmera, não tenho. Um cara senta perto do copinho, as sombras são mais legais ainda, queria uma câmera, não tenho. Olha pra cima, estrelas! Fazia tempo que não as via. Olha aquele garoto da escola, ele sentou. Fazia tempo que não via as estrelas. Alô? Ah, tô por ai, me procura. Ela não chega, será que se perdeu, coitada? Olha ela ali, oi, senta ai. Música divertida, acho que Led Zeppelin, imita a gaita, imita o vocalista, cansei. Era Led Zeppelin. Motoqueiros rockeiros. A fumaça do charuto tá toda em mim, isso fede, sair daqui. Olha o menino da escola, você viu? Reggae, vamos dançar, cansei. Finalmente vai começar. Chega mais pra frente, quero ver melhor. UHUUU, SEI CANTAR ESSA! Ah, não cantam nenhuma que conheço. Essa eu já ouvi. Não cantam nenhuma que conheço. Olha o cara da banda, segue ele! Vamos pra roda. Hey, hey, hey... Mexe, pra um lado, pro outro, balança a cabeça, dá uns pulinhos, arruma a franja, vamos voltar. Acabou, foi legal. Vontade de usar o banheiro, o químico nem fudendo, vamos pra casa. Fazia tempo que não via as estrelas.
ās 13h50Minha doce dor se esconde por trás de um sorriso comprado, corrompido, feliz, fingido.
ās 17h12Eu lembro de uma aula da 6ª série que o tio Gleidson falou que, involuntariamente, o nosso cotovelo apontava pra quem a gente amava. Descobri que amo muitas pessoas.
ās 17h58oi?
ās 16h35